Como está o BIM no setor de projetos e obras do mercado imobiliário do Rio Grande do Sul?
O ano de 2018 acredito ter sido um grande marco para o BIM no setor de projetos do mercado imobiliário no estado. Podemos perceber uma maior movimentação das construtoras, incorporadoras e projetistas. Este movimento está baseado em estudar softwares, buscar cases de outros do setor, promover palestras, eventos e grupos de trabalhos sobre BIM, buscar empresas para implantação e desenvolvimento do processo e modelagem BIM.
Participei do ciclo de palestras e debates promovido pela Asbea-RS chamado Segunda BIM, onde o debate era sobre o BIM no mercado imobiliário. O Sinduscon-RS apresentou suas ideias para disseminação do BIM entre as construtoras e incorporadoras. Onde atualmente foi montado um grupo/ forum BIM com 5/6 construtoras e incorporadoras que já estão com processos BIM em andamento. Algumas já com projetos utilizando visualização em obra pelos engenheiros, outras apenas utilizando para projetos e compatibilização, outras apenas sondando a possibilidade de receber projetos/ modelos BIM dos projetistas. Porém, ainda não com um processo interno integrado com os fornecedores (projetistas), suas equipes internas de escritório e a obra.
Outro movimento se deu nos escritórios/ projetistas mais tradicionais e “antigos” buscando a implantação BIM e a mudança no processo de desenvolvimento de projeto baseado em cad.
Escritórios mais "novos" já possuem na essência as novas tecnologias, entre elas o BIM, mas precisam competir com escritórios maiores e mais consolidados entre as construtoras e incorporadoras.
Mesmo com este avanço positivo e este movimento de implantação BIM interno é necessário que todos os envolvidos entendam que o processo mudou e que com a introdução do BIM em seus projetos deve ser colaborativa e que todos devem estar dispostos a mudar e entender o que será necessário evoluir.
Encontramos também muitas construtoras solicitando projetos em BIM, sem nem mesmo saber o que desejam extrair destes modelos. Não se preocupam em criar um Mandate ou Plano de execução BIM para entregar para seus fornecedores (projetistas). Apenas solicitam os projetos e se decepcionam quando os resultados - orçamento e planejamento de obra - não são extraídos dos modelos recebidos. Algumas optando pela refabricação dos projetos - contratação de empresas terceirizadas (ou equipe interna da construtora) para modelar os projetos recebidos em CAD ou mesmo em Revit ou ARchicad. Este movimento se dá pela não comunicação entre construtora e projetista, pela falta de conhecimento dos processos de construção pelo projetista, pela falta de informação ou diretrizes de como a construtora constrói e também pelo não entendimento que novos produtos surgiram com o BIM - estes novos produtos podem ser orçamento e planejamento de obra.
Percebemos que alguns projetistas, mesmo com a introdução do BIM em seus escritórios, não querem mudar suas entregas e produtos. Querem apenas reproduzir o fazem atualmente e não em um novo processo e fluxo de trabalho. Muitos falam que "fazem em BIM" mas apenas fizeram treinamento em um software BIM. Muitos não estão dispostos a entender a obra e construir virtualmente, estão acomodados com o trabalho fácil de anos com as mesmas construtoras.
Por exemplo, situações comuns:
- projetistas estruturais não entregando escadas em modelos básicos, porque só a faziam em fase de detalhamento. Não compreenderam que estes elementos modelados inicialmente são essenciais.
- projetistas de instalações não adicionam inclinações em dutos pelo "medo" do retrabalho e dificuldade em modificações.
- arquitetos gastando tempo em definições e detalhes em momentos iniciais que não impactam no processo de projeto em BIM.
- "todos" pensando e desenvolvendo apenas o pavimento tipo, sem pensar ao mesmo tempo em como isso impacta nos pavimentos inferiores e no projeto como um todo.
- cobrança de entregas "iguais" ao processo CAD (plantas/cortes cotados e documentados em fase de estudos). Precisamos entender que as entregas mudaram e que não precisamos gastar tempo adicionando documentação nos elementos em fases iniciais (exemplo etiquetas em portas e janelas, pilares…), pois a informação está no modelo, basta acessar!
Os fornecedores de elementos da construção (indústria/ fabricantes) estão pouco interessados em desenvolver suas bibliotecas. Encontramos alguns fabricantes buscando desenvolver seus produtos em bibliotecas BIM, este nicho também deve contribuir e deve ser explorado e introduzido no novo processo.
Acredito que o ponto chave da implantação BIM é a COMUNICAÇÃO E COLABORAÇÃO.
Se todos entenderem que é necessário além de cumprir as entregas e ir em reuniões, é necessário colaborar com o projeto.
Entender que precisamos redesenhar o fluxo de projeto, que as entregas e produtos hoje cobrados não condizem com o processo BIM.
Precisamos focar na construção virtual igual ao processo de obra da construtora.
Importante projetar e entregar projetos com um ÚNICO objetivo: EXECUÇÃO de obra - que inclui um bom projeto compatibilizado, orçamento aprovado e um ótimo planejamento de obra (inclui logística, suprimentos, etc).
E com certeza, tudo que tem acontecido em 2018 neste setor, será um ponto inicial para 2019!!
Parabéns aos que já "arriscaram" e com certeza terão os resultados em breve!!
*Este texto é baseado na minha opinião e experiência com implantação BIM para o mercado imobiliário.
O ano de 2018 acredito ter sido um grande marco para o BIM no setor de projetos do mercado imobiliário no estado. Podemos perceber uma maior movimentação das construtoras, incorporadoras e projetistas. Este movimento está baseado em estudar softwares, buscar cases de outros do setor, promover palestras, eventos e grupos de trabalhos sobre BIM, buscar empresas para implantação e desenvolvimento do processo e modelagem BIM.
Participei do ciclo de palestras e debates promovido pela Asbea-RS chamado Segunda BIM, onde o debate era sobre o BIM no mercado imobiliário. O Sinduscon-RS apresentou suas ideias para disseminação do BIM entre as construtoras e incorporadoras. Onde atualmente foi montado um grupo/ forum BIM com 5/6 construtoras e incorporadoras que já estão com processos BIM em andamento. Algumas já com projetos utilizando visualização em obra pelos engenheiros, outras apenas utilizando para projetos e compatibilização, outras apenas sondando a possibilidade de receber projetos/ modelos BIM dos projetistas. Porém, ainda não com um processo interno integrado com os fornecedores (projetistas), suas equipes internas de escritório e a obra.
Outro movimento se deu nos escritórios/ projetistas mais tradicionais e “antigos” buscando a implantação BIM e a mudança no processo de desenvolvimento de projeto baseado em cad.
Escritórios mais "novos" já possuem na essência as novas tecnologias, entre elas o BIM, mas precisam competir com escritórios maiores e mais consolidados entre as construtoras e incorporadoras.
Mesmo com este avanço positivo e este movimento de implantação BIM interno é necessário que todos os envolvidos entendam que o processo mudou e que com a introdução do BIM em seus projetos deve ser colaborativa e que todos devem estar dispostos a mudar e entender o que será necessário evoluir.
Encontramos também muitas construtoras solicitando projetos em BIM, sem nem mesmo saber o que desejam extrair destes modelos. Não se preocupam em criar um Mandate ou Plano de execução BIM para entregar para seus fornecedores (projetistas). Apenas solicitam os projetos e se decepcionam quando os resultados - orçamento e planejamento de obra - não são extraídos dos modelos recebidos. Algumas optando pela refabricação dos projetos - contratação de empresas terceirizadas (ou equipe interna da construtora) para modelar os projetos recebidos em CAD ou mesmo em Revit ou ARchicad. Este movimento se dá pela não comunicação entre construtora e projetista, pela falta de conhecimento dos processos de construção pelo projetista, pela falta de informação ou diretrizes de como a construtora constrói e também pelo não entendimento que novos produtos surgiram com o BIM - estes novos produtos podem ser orçamento e planejamento de obra.
Percebemos que alguns projetistas, mesmo com a introdução do BIM em seus escritórios, não querem mudar suas entregas e produtos. Querem apenas reproduzir o fazem atualmente e não em um novo processo e fluxo de trabalho. Muitos falam que "fazem em BIM" mas apenas fizeram treinamento em um software BIM. Muitos não estão dispostos a entender a obra e construir virtualmente, estão acomodados com o trabalho fácil de anos com as mesmas construtoras.
Por exemplo, situações comuns:
- projetistas estruturais não entregando escadas em modelos básicos, porque só a faziam em fase de detalhamento. Não compreenderam que estes elementos modelados inicialmente são essenciais.
- projetistas de instalações não adicionam inclinações em dutos pelo "medo" do retrabalho e dificuldade em modificações.
- arquitetos gastando tempo em definições e detalhes em momentos iniciais que não impactam no processo de projeto em BIM.
- "todos" pensando e desenvolvendo apenas o pavimento tipo, sem pensar ao mesmo tempo em como isso impacta nos pavimentos inferiores e no projeto como um todo.
- cobrança de entregas "iguais" ao processo CAD (plantas/cortes cotados e documentados em fase de estudos). Precisamos entender que as entregas mudaram e que não precisamos gastar tempo adicionando documentação nos elementos em fases iniciais (exemplo etiquetas em portas e janelas, pilares…), pois a informação está no modelo, basta acessar!
Os fornecedores de elementos da construção (indústria/ fabricantes) estão pouco interessados em desenvolver suas bibliotecas. Encontramos alguns fabricantes buscando desenvolver seus produtos em bibliotecas BIM, este nicho também deve contribuir e deve ser explorado e introduzido no novo processo.
Acredito que o ponto chave da implantação BIM é a COMUNICAÇÃO E COLABORAÇÃO.
Se todos entenderem que é necessário além de cumprir as entregas e ir em reuniões, é necessário colaborar com o projeto.
Entender que precisamos redesenhar o fluxo de projeto, que as entregas e produtos hoje cobrados não condizem com o processo BIM.
Precisamos focar na construção virtual igual ao processo de obra da construtora.
Importante projetar e entregar projetos com um ÚNICO objetivo: EXECUÇÃO de obra - que inclui um bom projeto compatibilizado, orçamento aprovado e um ótimo planejamento de obra (inclui logística, suprimentos, etc).
E com certeza, tudo que tem acontecido em 2018 neste setor, será um ponto inicial para 2019!!
Parabéns aos que já "arriscaram" e com certeza terão os resultados em breve!!
*Este texto é baseado na minha opinião e experiência com implantação BIM para o mercado imobiliário.

Bom texto!
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