Um orçamento completo de uma obra contempla: projetos técnicos, equipe de obra, engenharia e administração, instalações de canteiros, equipamentos e ferramentas, consumos do canteiro - água, luz, telefone, internet, movimento de terra, fundações, contenções, formas e escoramento, estrutura em concreto, pre moldados ou metálica, alvenarias, vedações, divisórias e fechamentos especiais, pisos, impermeabilizações, coberturas, revestimentos - internos, externos, fachadas, painéis, pinturas, forros, esquadrias de madeira, alumínio, pvc, vidros, serralheria, elementos de instalações elétrica, hidráulica, ar condicionado, incêndio, gás, especiais, louças, metais, acessórios, elevadores, equipamentos especiais, paisagismo, mobiliários e itens de interiores, urbanização e entrega da obra, entre outros.
Baseado neste itens descritos acima verificamos que os softwares de modelagem BIM não serão capazes de extrair o ORÇAMENTO de uma obra...eles são sim, capazes de extrair a QUANTIDADE dos elementos modelados. E ainda gosto de afirmar, se não modelar ou não considerar algum elemento modelado para base de extração dos quantitativos de outros, não será possível fazer mágica e quantificar.
Afirmamos mais uma vez, BIM é uma construção virtual e deve incorporar os processos construtivos reais na modelagem. Por isso a utilização do modelo BIM para orçamento de obras está diretamente ligada à forma como ele é construído. É fundamental analisar a EAP do orçamento praticada por cada empresa, e entender como o modelo pode atender à ela e consolidar o objetivo do processo BIM.
Será sempre necessário extrair os quantitativos de um software de modelagem como: Revit, Archicad, TQS, QiBuilder, Eberick para posteriormente juntar ou vincular a uma planilha ou sistema de orçamento: planilhas de composições (TCPO, SINAPI) e/ou software como o Vico.
O eng. Cícero Sallaberry da ProjetaBIM, empresa que fornece serviços de extração de quantitativos de obras utilizando a tecnologia BIM, comenta:
Nossos contratos normalmente envolvem extração de quantitativos. Deixo um valor a parte na proposta para este serviço, ou seja, independe dos demais serviços que oferecemos, que é a modelagem, compatibilização e coordenação de projetos em BIM.
Mas quase sempre, nas negociações de valores e de escopo, ouvimos as mesmas palavras dos clientes (construtora ou escritório de projetos): “esse valor aqui (quantitativos) podemos diminuir bastante né, já que o quantitativo sai automático e tu praticamente não tem trabalho” E a nossa resposta é sempre a mesma - após um breve pensamento de que por aquele cliente já passou um vendedor de software, ou ele pesquisou sobre BIM na internet: “ao contrário, teremos que detalhar muito mais o modelo, especificar e nomear famílias, antecipar diversas decisões e respostas com relação a materiais, etc..”
Mas esse é nosso papel, esclarecer para o cliente quais são as reais vantagens do BIM e tentar desmistificar alguns mitos e inverdades do mercado.
No nosso contrato também especificamos quais os itens de materiais que estarão na lista de quantitativos. E, principalmente, em quais etapas de projeto o cliente receberá estes itens. Ou seja, lá no projeto básico, onde ele ainda não especificou todas as áreas em que vão ser instalados forro de gesso, ainda não teremos como passar a quantidade. À medida que o projeto e o modelo vão evoluindo, vamos entregando os quantitativos, nomenclatura e especificações cada vez mais detalhados.
Concluí, orçamento não sai do modelo bim. Quantitativos sim. Orçar é pegar quantitativos e atribuir valores, composições, mão de obra, etc.
Orçar uma obra baseada em um modelo BIM é conhecida como 5D, nesta fase ou objetivo BIM agrega-se a dimensão custo ao modelo tridimensional. Cada elemento do projeto passa a ter vinculação a dados de custo. Na maioria das vezes este processo é feito de forma não integrada com o modelo. Sendo, a extração de quantitativos dos modelos e jogados para planilhas que estão desassociadas deste modelo.
O processo ideal deveria ser: enquanto altera-se um elemento no modelo dentro de um software BIM e suas quantidades vinculadas aos elementos, este banco de dados deveria estar vinculado a plataformas de orçamento sendo seguro e confiável e um processo de uma mão unica. Entendemos que o quantitativo que é exportado para outras plataformas não integradas ao modelo, demandando atualizações periódicas e manuais para a validação constante do orçamento.
Existem softwares BIM (o Vico, por exemplo) que permitem a estruturação de planilhas orçamentárias. Isso faz com que seja possível inserir a EAP de orçamento e as composições de serviços no mesmo programa que lê as informações do modelo, viabilizando a vinculação das quantidades lidas do modelo com informações da planilha de orçamentos, caracterizando um processo BIM.
Então concluímos: orçamento automático no BIM é MITO... tome cuidado, nada é feito com mágica e o botão tão desejado AUTOMÁTICO não existe no BIM e nem nos softwares do processo BIM! Extração de quantitativos e orçamento em BIM demandam de uma modelagem para este objetivo e deve estar vinculada a EAP de orçamento de cada empresa.


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