Implementação BIM x empresas brasileiras

A revista Construção e Mercado disponibiliza um artigo referente a implementação de BIM em empresasas brasileiras em seus projetos.


Veja como empresas brasileiras implementaram o BIM em seus projetos

Entre as construtoras que desenvolvem projetos em BIM, a procura por mão de obra com capacitação nessa área já é uma realidade. No caso das empresas que estão dando os primeiros passos dentro do conceito, o caminho natural passa pela contratação de consultores especializados e busca de apoio dos fornecedores para treinamento de equipes internas de funcionários.

O movimento de capacitação no mercado brasileiro segue uma tendência global encabeçada por países como Estados Unidos, Inglaterra e Cingapura, onde a proficiência em BIM se tornou uma demanda amplamente disseminada entre empresas na fase de contratação de profissionais.

"O modelo de contratação está ligado a como se faz a implementação do BIM nas empresas e nos projetos", afirma Lucio Soibelman, professor da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo ele, há duas opções para se trabalhar na área: o lonely BIM e o social BIM.

No lonely BIM, ou "BIM solitário", os projetistas entregam seus trabalhos em 2D, e o gerente de projeto BIM - chamado pelo jargão de BIM manager - recria todos estes modelos em 3D e faz a análise final de compatibilidade. "Isto permite que o trabalho se faça em um escritório ou em uma empresa de consultoria. O problema é que o modelo BIM resultante é uma cópia dos projetos anteriores. É um esforço duplo, por ter o projeto e o reprojeto, que muitas vezes não está devidamente atualizado", pondera Soibelman.

O consultor Rogerio Suzuki, da RS Consultoria, observa que esse modelo é bastante popular porque funciona como uma experimentação para as construtoras que ainda não estão familiarizadas com o BIM e procuram entender se a ferramenta é viável para seus empreendimentos. Com essa "terceirização", a consultoria assume a tarefa de desenvolver a modelagem sem que a construtora tenha de investir altos valores em equipamentos e treinamento. "Nesta fase, é comum a construtora usar as licenças de prova dos softwares, versão que permite apenas a leitura dos modelos produzidos", relata Suzuki.

Já o modelo social BIM pressupõe o envolvimento de toda a cadeia, passando pelas equipes internas da construtora até o escritório de arquitetura, que já desenha o projeto em 3D conforme o modelo definido pela contratante. "Aí não é preciso existir um BIM manager. Todos os profissionais têm de entender da ferramenta", explica o professor Soibelman.

O BIM no Brasil

A Matec Engenharia é uma das pioneiras na implantação do BIM no País. A empresa deu largada aos estudos em 2008 e hoje está consolidada em social BIM. "Não é possível enxergar o profissional de hoje que não tenha essas habilidades", avalia Marcelo Pulcinelli, diretor de Engenharia.

Ele conta que um dos desafios na implantação foi qualificar os trabalhadores. "Ninguém tinha habilidade para modelar, então criamos e qualificamos um mininúcleo, formado inicialmente por uma estagiária e um gerente de projeto, para trabalhar em um novo empreendimento", relembra. "Tudo era feito internamente, e começamos, com treinamentos aplicados pelos fornecedores de softwares, a formar alguns jovens, todos com muito pouca experiência, basicamente estagiários e arquitetos recém-formados." O executivo explica que a escolha da Matec pelo social BIM se deu porque a empresa queria incluir inteligência no processo, o que não era possível apenas com a modelagem de projetos em 2D.

O grande salto, porém, aconteceu entre 2011 e 2012, quando um projeto de uma fábrica de semicondutores exigiu a contratação e interação da Matec com uma equipe dos Estados Unidos mais experiente em BIM. "Desenvolvemos o projeto com eles e aprendemos muito. Nossos projetistas começaram a receber os modelos das diferentes disciplinas (como a de instalações) e passaram a fazer a análise crítica dos trabalhos", relembra Pulcinelli. Hoje, a Matec tem líderes de projeto que coordenam em BIM todas as atividades, desde a elaboração do modelo volumétrico até o de produção, passando pelo modelo executivo. "O meu líder de projeto não tem hoje para si um núcleo somente de BIM. Todos da organização estão inseridos neste contexto", explica.

A Sinco Engenharia é outro exemplo de empresa consolidada dentro desse conceito. "Quando implementamos o BIM, a partir de 2010, nossa linha de frente foi formada por estagiários, que receberam cursos de modelagem. Os salários não subiram na época. A contrapartida foi uma qualificação maior e a possibilidade de participar de um novo time", conta Fernando Augusto Corrêa da Silva, diretor da empresa.

A Sinco acaba de entregar, em São Paulo, a obra do Cantareira Norte Shopping, que foi totalmente desenvolvido em BIM. Apesar das vantagens da modelagem, um dos maiores desafios do projeto foi encontrar fornecedores que realizassem seus trabalhos usando o BIM ou que estivessem dispostos a trabalhar pela primeira vez com a tecnologia. Nesses casos, foi necessário entregar a eles os projetos em formato 2D.

Além do número restrito de empresas que atuam com BIM, Corrêa observa que o impacto da crise sobre os negócios setoriais também influenciou o desenvolvimento dos profissionais, que, no mercado de trabalho, poderiam receber salários em torno de 5% acima do que seus colegas sem essa qualificação. No entanto, com muitos projetos postergados, essa não é a realidade. "Há muita gente disponível, e hoje se contrata quem tem BIM pelo mesmo preço dos que não têm. O diferencial está em apresentar esta habilitação no currículo e, quando o mercado reaquecer, os profissionais qualificados serão os primeiros a serem escolhidos", aponta o diretor.


Além da retração das obras, o avanço do BIM no Brasil caminha lentamente porque sua implementação também exige uma transformação cultural das equipes. "Ainda não chegamos a ter um volume significativo de busca por profissionais de BIM no País. As poucas empresas que já têm procurado gente especializada o fazem geralmente dentro do ambiente acadêmico ou de uma das revendedoras de softwares", diz Rafael Falcão, diretor de Operações da empresa de recursos humanos Hays Recruting Experts Worldwide.

Na sua opinião, é comum que, neste primeiro momento no qual a oferta de profissionais experientes é diminuta, as empresas procurem contratar alguém que já tenha conhecimento comprovado. Entretanto, este cenário pode mudar. "O BIM é uma tendência de mercado. Os executivos das empresas do setor nos revelam planos estratégicos de implementá-lo, sobretudo naquelas empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida, já que a modelagem é também um instrumento de eficiência", descreve Falcão. "A competição global dos grandes players internacionais de construção civil, que cada vez mais oferecem risco às companhias brasileiras, sinalizam a necessidade de agir rápido."

Fonte: Construção e Mercado, Edição 176, mar/2016







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