Quatro coisas que BIM não faz

Aproveitem, vamos aprender com profissionais do blog practical BIM... apresentando dicas práticas e eficientes de como fazer o "trabalho BIM"...

By Antony McPhee

“Se fizermos a suposição de que BIM contém todas as informações sobre um projeto (ou o “índice” para a localização de informações), o que está faltando”? O que nos impede de ser capaz de emitir um modelo BIM sem desenhos?
Não estou falando apenas de falta de funcionalidade do software, mas da falta de processos BIM.


Um modelo BIM é, em teoria, uma representação virtual de um edifício real. O pressuposto é que, enquanto tudo o que é necessário está representado. Qualquer deficiência na prática é puramente devido à falta de detalhes no modelo, ou prática de modelagem pobre. Tenha em mente aqui que um modelo BIM não são desenhos. Atualmente nós usamos nossos softwares BIM para produzir conjuntos de desenhos que são prestações contratuais. O que seria um modelo BIM totalmente maduro?"

- Todas as informações estão no modelo, só precisam de 'zoom in' para expor mais detalhadamente.
- As dimensões podem ser extraídas a partir de qualquer parte do modelo.
- Todas as informações sobre os elementos individuais, est~ao disponível através dos parâmetros (que podem incluir links para dados fora do modelo).
- Os desenhos não são criados pelo autor do modelo ou contidos no modelo. Os usuários criam seus próprios, conforme eles precisam.

Soa muito bem, não ao contrário de muitas descrições do que é BIM. Mas esta é a descrição de um modelo BIM totalmente maduro, uma vez que todos os vários autores e colaboradores têm feito o seu trabalho...
Modelos BIM não começam com essa informação abrangente. Eles não podem. Todos os projetos de construção são uma série de decisões com base em decisões anteriores. As decisões são iterativas, uma decisão pode causar uma decisão anterior de ser revista e alterada.
As ferramentas para comunicar, gerenciar e armazenar informações em torno de decisões está faltando. E estas são as quatro grandes coisas que BIM não fazer para os usuários.

INTENCIONALIDADE
Apesar de tudo, não se sabe em detalhes precisos durante as fases de concepção que informações precisam ser comunicadas. A intenção do projeto, o que é importante e o que não é. Que requisitos são, e quais aqueles que são críticos, ideal e desejável. Atribuir uma parede como "genérico" só diz não ter sido tomada uma decisão. Ela não diz o que são as limitações para tomar a decisão.
Outro exemplo é o dimensionamento. Nem todas as dimensões são iguais em importância. A largura útil de uma escada é mais importante do que a largura de um dormitório. Como transmitir isso em um modelo BIM, em que o destinatário extraia suas próprias dimensões?

Rob Snyder , desenvolvedor de software e arquiteto na Bentley:

“Um modelo é a própria informação, ao mesmo tempo em que “estabelece” um ambiente de informação”. Dentro desse ambiente, chamamos a atenção para coisas específicas e instruir as pessoas a olhar para as coisas e fazer alguma coisa. Esses "desenhos de atenção" são declarações.
Existem modelos e dados. Estes são "ambientes" - Há desenhos. Os desenhos são "declarações".
Eu penso nisso como uma afirmação e um meio de chamar a atenção para algo específico dentro de um ambiente, e, em seguida, dizer alguma "coisa sobre essa coisa" . Em AEC, esta tem sido convencionalmente feita fazendo um desenho. Um “desenho chama a atenção para algo específico, e diz algo sobre isso.”


TOLERÂNCIA
Modelos BIM são precisos. O software de computador requer precisão. Mas o mundo real não é tão preciso, particularmente onde os seres humanos estão envolvidos.
Não é possível medir sempre ao milímetro em um canteiro de obras. Nem todos os materiais são uniformes em tamanho, mesmo os manufaturados. Os materiais e os elementos se movem; Por exemplo: concreto encolhe, tijolos expandem...
Arquitetos e engenheiros tem que permitir a tolerância em seus projetos para que possam ser construídos.
Mas como é que eles fazem isso com um software que não tem provisão para tolerâncias? Software que exige que as coisas sejam exatamente alinhadas?

Uma solução comum é adicionar tolerância a espessura do material, de modo que 13 mm de gesso se tornem 15 mm. Problema é que o estimado pode custar 15 mm de gesso em vez de 13 mm, ou pior, a placa de gesso comprada com 15 mm.
Pode ficar confuso para as pessoas quando as tolerâncias são modeladas.


COMENTÁRIOS
Durante a fase de projeto, existem muitas dúvidas e incógnitas flutuando. Ao invés de todos manterem listas separadas colocando as duvidas diretamente no modelo BIM garantindo que estarão disponíveis para todos os participantes e algo que você sabe que eles vão olhar.
O que eu gosto sobre os comentários do modelo é que os problemas apontam para permanecer no rosto de todos até ser resolvido.
O problema dos comentários é semelhante ao do intencionalmente discutido acima. A diferença é que a intencionalidade é parte de resultados finais, os comentários são parte do processo de criação de entregas, mas não uma entrega.
Embora seja verdade que os elementos podem ter parâmetros de comentário. Eles podem dizer respeito a vários elementos, os elementos em falta, ("Janela necessário aqui?") Ou comentários gerais não relacionadas a quaisquer elementos particulares, ("redesenhar esta área").
Mais uma vez, existem soluções alternativas, mas eles geralmente são anotação com base em vez de incorporado no modelo BIM. No Revit uso um símbolo de anotação com os parâmetros que podem ser programados, mas é claro que estes são apenas visíveis nos desenhos, não é realmente uma solução BIM.


REVISÕES
É uma exigência para identificar alterações entre as questões de documentos. O método para fazê-las em desenhos está bem estabelecido. Mas não parece ser um método estabelecido para BIM.
A mudança no modelo pode afetar muitos desenhos, cada uma tem que ser rastreada manualmente para ter uma "nuvem". As revisões são adicionadas após o fato, enquanto o ato de fazer uma mudança poderia, em teoria sinalizar automaticamente uma revisão.

Mas o que falta é um fluxo de trabalho ou método acordado que comunica mudanças. Por exemplo: Elementos de codificação de cores que indique o que mudou desde a última edição, ligação automática de links para elementos alterados...



Gosto muito do blog practical BIM e por isso sempre que consigo traduzo os post disponibilizados por eles.
Concordo e apoio tudo o que é exposto nas reportagens!
Eu acredito que todos estes itens são superáveis. Apesar de, que dependem de funcionalidade do software, eles requerem fluxos de trabalho acordado. Algo que deve vir da indústria de AEC. Não devemos apenas esperar pelas empresas de software...


Fonte: practical BIM
Practical tips on making BIM work.




Comentários

  1. Concordo com algumas observações acima, porém há um erro tremendo na questão da tolerância. A tolerância é muito bem resolvida na mecânica. O projetista nunca desenha algo com folga, as medidas dos projetos sempre devem ser exatas e a tolerância, apenas indicada. Porque isto? Porque se você deixa uma folga em projeto, você está apenas correndo o risco de cometer outro erro, já que a medida de um elemento relaciona-se com a de outro, ou outros. Portanto podemos desenhar a parede com 13 mm e indicar a tolerância de + 2mm e - 1mm. Ou +2mm e - 0 mm. Por este caminho o BIM atenderia totalmente, visto que a tolerância sempre deve ser uma questão de comunicação de projeto - nunca incidiria na modelagem, que deve ser exata.

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