Estamos assistindo, ouvindo, vendo várias notícias sobre os estádios, arenas e aeroportos. Algumas ainda saindo do papel e muitos já prontos para a Copa 2014!
Nas buscas pelas internet encontrei uma repostagem bastante antiga de 2010. Infelizmente nada mudou nestes 3 anos... os mesmos comentários e observações apresentadas pelos arquitetos ainda estão em desenvolvimento e o mercado em implantação.
Arquitetos debatem os desafios da especificação das arenas e projetos de infraestrutura de 2014...
Para discutir os desafios que a indústria da construção civil precisa superar a fim de atender às necessidades dos profissionais envolvidos em obras de infraestrutura e dos estádios para a Copa de 2014, a revista PROJETO DESIGN reuniu arquitetos e fornecedores, em outubro de 2010, no auditório da Associação Brasileira de Fundição (Abifa), em São Paulo. Participaram da mesa de debates Aníbal Coutinho, titular do escritório carioca Coutinho Diegues Cordeiro, responsável pelo projeto do estádio do Corinthians, na capital paulista; Eduardo de Castro Mello, titular de Castro Mello Arquitetos, que assina o projeto do Estádio Nacional, em Brasília; e Mario Biselli, do estúdio Biselli e Katchborian Arquitetos Associados, autor dos projetos do aeroporto de Florianópolis e do novo terminal do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Separei alguns trechos importantes e relacionados a modelagem e BIM:
- Como vocês veem o atual momento econômico para o país?
Mario Biselli: "Desde que me formei, há 25 anos, muita coisa mudou no Brasil e agora, com a Copa, vai mudar mais ainda...
...Todos vimos as imagens dos estádios para a Copa e é inegável o salto de qualidade dos projetos. Também temos a tradição do concurso público de arquitetura, que naturalmente eleva a qualidade.
No início dos anos 1990, os arquitetos passaram a projetar no computador. Agora, 20 anos depois, temos a introdução dos softwares BIM - Building Information Modeling, como o Revit e o Archicad. Eles tendem a dominar os escritórios de arquitetura, não por marketing do arquiteto, mas sim pelo seu aspecto produtivo e pela relação que ele estabelece entre o arquiteto e o fornecedor. Os próprios fornecedores deveriam incentivar as bibliotecas on-line no Brasil. Na fase Autocad, muitas empresas produziram essa biblioteca, mas com a tecnologia BIM temos outra realidade. Não vem só o bloco, mas também uma série de especificações técnicas, e os fornecedores precisam tomar a iniciativa e oferecer isso aos arquitetos."
- Gostaria que os senhores aprofundassem um pouco mais a discussão sobre o BIM.
AC - No escritório usamos um programa de modelagem já há alguns anos. Acho que esses softwares vão ficar mais efetivos quando todos começarem a utilizá‑los. Os projetistas complementares não usam e fica meio capenga se só o arquiteto o faz. É preciso que os fornecedores entrem de cabeça nisso agora, porque ainda não temos blocos em 3D, e imaginem o trabalho que dará para construí-los. Se não tivermos isso na mão, o que vai acontecer é que todo mundo irá no fourspaces.com - site norte-americano de especificações - para pegar os blocos de outros materiais. Todos ficarão vinculados a um material específico e a um fornecedor estrangeiro na hora de projetar. Isso vai evoluir com muita rapidez porque os arquitetos mais novos têm facilidade para essas coisas. Eu sou mais velho, não tenho essa familiaridade, não sei usar computador, não sei usar CAD, mas os arquitetos mais novos projetam diretamente no computador e aprendem rapidamente esses processos de modelagem.
MB - A modelagem é uma coisa e o BIM é uma nova página. Eu sei trabalhar com Autocad, embora odeie. Ele não faz o que você quer que ele faça, você é que tem de aprender o que ele pode fazer. Por isso comecei a comparar o que os softwares de CAD estavam apresentando para ver se eles podiam fazer o que eu queria. Acabei aprendendo a linguagem e a dominar a parte da modelagem. Mas os softwares BIM estão se apresentando como uma fronteira completamente nova da computação gráfica, como um ferramental que permite um único arquivo, um arquivo tridimensional, com absolutamente todas as informações relativas a um projeto. Da maneira como produzimos hoje, vamos projetando e outras pessoas colocam aquilo em desenhos documentais, planta, corte e fachada.
Cada vez mais nos comunicamos com o desenho tridimensional, mas não é um arquivo único, são vários arquivos. E os softwares BIM se propõem a ser um arquivo único, que gera automaticamente plantas, cortes, fachadas, perspectivas, planta de prefeitura e qualquer outra ilustração do projeto. Os norte-americanos estão construindo uma enorme plataforma de biblioteca. Eu não acho que os softwares BIM vão trazer grandes novidades em termos de apresentações, até porque há outros softwares melhores para essa finalidade. Mas essa plataforma terá um impacto tremendo na nossa profissão: por exemplo, não existirá mais a figura do estagiário. Ele terá que estudar o software para entrar na cadeia da produção. E se ele já conhece o software, não terá mais porque pleitear uma vaga de estágio. Acho esse aspecto bastante ruim, porque hoje o estagiário vai para o escritório a fim de aprender a trabalhar e esse papel pedagógico vai se perder. E tem outra coisa: os fornecedores de softwares se apresentam como a solução definitiva de todos os tempos, mas isso é um detalhe.
A principal preocupação do arquiteto é conseguir trabalho e o que temos hoje em termos de software se presta perfeitamente ao que fazemos. Os softwares BIM vão trazer uma grande mudança de procedimentos, que a princípio parece fenomenal: não haverá perda de tempo se ocorrer uma mudança numa laje, por exemplo, o próprio programa vai alterar os parâmetros do desenho inteiro, e já em planta, corte e fachada. Essa é a lógica do sistema. E o fornecedor deverá acompanhar essas mudanças e oferecer especificações on-line, bibliotecas específicas, informações de desempenho, certificações e todos os dados técnicos de seus produtos.
“Os fornecedores precisam investir na formação de mão de obra qualificada para a instalação de materiais, que são de tecnologia avançada.” (Aníbal Coutinho)
Fonte: Arcoweb - Revista Projeto Design.
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Projeto do estádio do Corinthians - Projeto: Coutinho, Diegues, Cordeiro/DDG.
Estádio Nacional de Brasília - Projeto:Castro Mello Arquitetos.
Aeroporto Internacional Hercílio Luz – SC - Projeto: Biselli e Katchborian Arquitetos Associados
BIM é um processo. Todo processo precisa ser planejado e organizado.
BIM demanda tempo e "querer" mudar!
BIM depende de coordenação, cooperação e colaboração!!




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